Lisa Ster Coy

Poesia e algo mais...

- >   U m a   n o i t e   p r o   r e s t o   d a   v i d a 

Um dia de chuva, de madrugada, está o jovem rapaz Renato voltando do Bar do Blues. Com a intenção de ir para casa, ele andarilha na beira da estrada protegendo-se da chuva com o casaco. De repente encontra uma menina de rostinho angelical, cabisbaixa de pé no ponto de ônibus em frente ao cemitério.

Encantado com sua beleza e ao mesmo tempo preocupado pelo fato de estar sozinha na rua àquela hora, ele vai a cumprimentar:
— Olá, está precisando de ajuda?
A menina permanece quieta.
— Menina, está de madrugada, chovendo, o que pretende ficando sozinha neste lugar? — Renato tenta novamente.
— Estou com medo — ela responde.
— Quer que eu a acompanhe? Onde fica a sua casa?
— Três quarteirões daqui.
— Venha comigo, eu te levo até lá.
Renato pega o casaco do qual estava se protegendo da chuva e põe sobre ela. Ela vai com ele e os dois começam a caminhar. Numa tentativa de conversa Renato pergunta:
— Qual seu nome, menina?
— Rosa.
— Prazer, o meu é Renato. Quantos anos você tem?
— 15. — responde ela, encabulada.
— Você disse três quarteirões, a minha casa também fica por lá, será que somos vizinhos?
— Não sei, mas nunca te vi por lá. — finalmente uma frase completa saindo da boca de Rosa.
— Estamos chegando, vamos saber daqui a pouco. — diz Renato.
E eles continuam caminhando quietos até chegarem a uma pequena casa de muro baixo e portão de grade. Renato comenta:
— Minha casa fica no próximo quarteirão, bem perto da sua.
Rosa abre um sorriso tímido e ameaça tirar o casaco de Renato.
— Não, deixe com você, só assim terei uma desculpa para voltar aqui vê-la amanhã. — diz Renato.
— Então, tchau e obrigada pela companhia. — Rosa se despede.
Rosa abre o portão e entra para sua casa. E Renato continua a caminhar calmamente debaixo da chuva em direção a sua casa.

No dia seguinte, Renato vai à casa de Rosa como prometido. Chegando lá, bate palmas e grita pelo nome da menina. Mas quem atende é uma senhora de idade avançada que o olha espantada.
— O que você quer? — pergunta a senhora.
— Olá, meu nome é Renato. Gostaria de falar com a Rosa.
— Não tem nenhuma Rosa aqui. — e ela bate a porta com agressividade.
Persistente, Renato volta a gritar:
— Senhora, eu sei que Rosa mora aqui, eu a trouxe ontem a noite para cá.
No mesmo momento a senhora abre a porta e tranca a casa, vai até o portão falando:
— Venha comigo.
Renato não entende a reação da senhora, mas a acompanha.
— Para onde vai a senhora? Vai me levar até Rosa?
— Sim, mas espere.
Então, ainda sem entender nada, a senhora chega ao cemitério onde Renato encontrou Rosa.
— Como sabe que a encontrei aqui na noite passada? — pergunta Renato.
— Eu não sei. Vou te explicar tudo logo. Ontem fez dez anos que a minha filha Rosa faleceu.
— Como assim? A senhora está brincando comigo? — Renato se assusta.
— Não. E foi exatamente aqui neste ponto de ônibus que ela foi encontrada. Ela estava esperando o namorado que ia com ela para uma boate ali perto, ninguém soube ao certo o que aconteceu, somente que o namorado dela não saiu de casa naquela noite. A perícia policial disse que provavelmente foi alvo de assaltantes, pois ela foi encontrada esfaqueada neste exato lugar.
— Mas quem foi que eu encontrei ontem então?
— Foi ela mesma. A partir da morte dela, todos os anos na data de ontem um homem a encontra neste mesmo lugar e no dia seguinte volta para buscá-la. Venha que lhe mostrarei o túmulo dela.
Sem reações, Renato não tem outra escolha e vai com a suposta mãe de Rosa. Chegando lá, um susto; o casaco de Renato estava encima do túmulo.
— Mas, como pode? Isso é impossível...

Renato puxa o casaco, e sob ele estava a foto daquela menina de rostinho angelical, a Rosa.

 

Por Lisa Stér Cöy. 

 

(parte do livro "Sonhos, amores e ilusões...") 

 

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