Lisa Ster Coy

Poesia e algo mais...

- >   B e i j a r - t e 

        Caminhava-mos naquele calçadão da praia. Sua mão segurava minha cintura enquanto a minha também o fazia. Assunto vinha, assunto ia, dentre eles minutos em silêncio seguidos de um beijo momentâneo, depois seguíamos o caminho novamente.
      O sol era forte, decidimos então parar embaixo de uma daquelas árvores meio tortas carregadas pelo vento como ação do tempo. Recostei-me na mureta e ele recostou-se em mim. Sua mão deslizou por minhas costas. Percebi, então, um pedaço de terra elevado entre a mureta e o barranco virado para a praia. Minha mente ídica levou-me a pular a mureta para sentar-me naquele pedaço de grama. Ele me segue.
      De longe avistamos um homem nadando, então comentou que assim também o fazia anos atrás. Senti novamente a mão em minha cintura. Os dedos subiram até encontrar meu braço, acariciando-o devagar: outro beijo. Nossas línguas roçavam num amor que não deixava os minutos passarem. Nossas mãos deslizavam e braços enroscavam-se num beijo que não tinha fim.
      Por trás de nós pessoas, pedestres normais e curiosos passavam olhando, mas não ligávamos, duvido até que ele os via. Continuávamos, ali, entrelaçados.
      Uma de minhas pernas estava encima de sua coxa, a outra, pendurada no barranco, balançava enquanto eu brincava com meu próprio pé. Levantamo-nos e seguimos beirando a mureta até um largo de grama onde se encontrava uma estreita escada de pedras que fazia curvas descendo barrando abaixo até a praia. Fomos.
     Tirei meus sapatos e corri até a água, esperei-o dobrar a calça; iria trabalhar depois.       Caminhamos por toda a praia. A cada três minutos olhávamos um ao outro e nos beijávamos: era instantâneo, era instinto, era amor. Subimos de novo o barranco, porém por outro lado.
      Ele levou-me até uma ponte, esta que ligava a orla até um pequeno morro formado por rochas em meio à água. No alto do morro havia uma igreja. Seguimos pela ponte, uma moça levando um cachorro passou ao nosso lado. Encaminhamo-nos até uma porta, onde havia um caminho até a igreja, mas por ventura estava fechada e sem aviso de horários. O invés disso vimos um pequeno escrito de liquid paper ao lado que dizia: “Eu te amo muito”. Apontou para o escrito para que eu visse e então disse:
      — Eu também te amo muito.

      Beijamo-nos novamente. Beijamo-nos eternamente.

 

Por Lisa Stér Cöy. 

 

VOLTAR 

Faça parte de nossa rede. Para se cadastrar clique em Register, você poderá ter seu perfil pessoal para postar comentários, receber atualizações e novidades do site.