Lisa Ster Coy

Poesia e algo mais...

- >   A   s o l u ç ã o

Queria poder chorar todas as vezes às margens do oceano, assim minhas lágrimas seriam imperceptíveis. Apenas uma gota salgada em meio a imensidão.

Talvez isso explique porque o mar é salgado. Seriam as lágrimas do mundo ou a solidão de cada um em meio a ele? Seria a dor de cada fruto do mundo ou o fruto da dor?

São coisas confusas, muito confusas.

Como quando vejo a placa de ‘vendo fogão’ e me imagino observando um. Ou quando leio a palavra verão; por que a conjugação de um verbo pode virar uma coisa que nada tem a ver com a original?

Talvez isso explique porque a evolução de uma pessoa a muda tanto.

Por que? É um vazio.

É como escrever ‘lave-me’ num pára-brisa empoeirado, ou ‘sou amador’ num muro ‘reservado pra pichador amador’. É como uma montanha de lixo abaixo da placa ‘não jogue lixo’, ou como te dar um ‘ramo’ e dizer, que naquele pedaço de planta está o ‘amor’. Como puderam pensar nisso?

Por que o mundo é repleto de ironias?

Não fui respondida, então tive vontade de pegar minhas lágrimas de volta, de me jogar no mar e busca-las.

Assim o fiz. E sabendo que não voltaria, me afoguei nas lágrimas do pichador amador, do casal apaixonado, do dono do carro empoeirado e do vendedor de fogões que, junto das chuvas de verão que vocês verão, jamais virão.

Então solucionei o problema e jamais chorei novamente. Jamais.

 

Por Lisa Stér Cöy.

 

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